Fim da sociedade

Todo carnaval – e toda sociedade – tem seu fim

fonte: saia do lugar

Se você já participou de qualquer processo seletivo de uma grande empresa para o qual não foi selecionado, com certeza ouviu como feedback que “não houve um casamento entre você e a empresa”. A comparação entre a empresa e o casamento, porém, é mais que um mero clichê usado pelo RH para dispensar candidatos.

O sucesso de sua iniciativa está diretamente relacionado à sua capacidade de selecionar as melhores pessoas para transformar seu sonho em realidade. Deve haver um verdadeiro casamento entre os objetivos da equipe e os de sua startup, a mesma paixão pelo negócio, a mesma motivação e dedicação para fazer o negócio crescer e, principalmente, a mesma expectativa. E se essa regra vale para os membros da equipe, não pode ser outra a lógica para a escolha dos sócios.

Ainda que você tenha decidido montar um negócio com seu melhor amigo, alinhar as expectativas de cada um e definir as responsabilidades é fundamental. No início da sociedade, todos estão motivados e interessados em fazer o negócio evoluir e vocês têm certeza de que a parceria vai dar certo. E é por confiar que tudo vai dar certo (ou mesmo por terem receio de ofender o parceiro escolhido) que muitos empreendedores não estabelecem formalmente como será a relação entre os sócios.

Por mais que a sintonia entre os sócios pareça indestrutível no início da parceria, imprevistos e desavenças são naturais, e dificilmente o negócio vai sobreviver se os empreendedores não se prevenirem desde o início da parceria. Em especial, o erro que mais afasta os investidores é a inexistência de acordo estabelecendo as condições para que um dos empreendedores saia no meio do caminho.

A falta de alinhamento prévio das condições da sociedade e das estratégias de saída é um problema sério e foi, inclusive, objeto de análise da Bel Pesce em sua palestra realizada na Campus Party Brasil (CPBr8) sobre os 12 erros que podem destruir um negócio (veja a partir de 26 minutos).

Assim, quando você propuser sociedade a alguém, seja na fase inicial do negócio, seja com a startup já estruturada e em funcionamento, lembre-se de alinhar previamente todas as condições da parceria. Divergências sobre os rumos do negócio e sobre a real dedicação exigida de cada um dos empreendedores desviam o foco do negócio e afastam os investidores.

Dentre os temas que precisam ser combinados logo no início da parceria, listamos:

  • Quais serão as condições da sociedade: responsabilidades de cada sócio;
  • Qual é a participação de cada sócio;
  • Como será a autonomia de cada sócio na tomada das decisões;
  • Quais são as opções de saída;
  • Qual será o método para resolução de controvérsias.

Diante desses aspectos que precisam ser alinhados logo no início da parceria, você pode se valer de várias ferramentas jurídicas para resguardar seu negócio. Nos próximos posts, trataremos sobre alguns desses instrumentos que você pode utilizar, tais como:

  • Memorando de entendimentos;
  • Acordo de acionistas/cotistas;
  • Plano de stock options;
  • Contrato ou cláusula de vesting (straight vesting, cliff vesting, performance vesting e step vesting).

Você já passou por alguma experiência negativa com um sócio? Compartilhe conosco o método que vocês utilizaram para resolver o problema.

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